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Como fiz as pazes com o final de How I Met Your Mother



Agora já fazem dois anos e alguns meses que veio à tona o tão controverso final de How I Met your Mother. Como muitos, à época também entrei em estado de choque com o final e por muito tempo me senti traída pela série.

Após assistir ao final uma dúzia de vezes e ler todos os comentários possíveis na internet, cheguei a conclusão de que não poderia haver outro final caso os criadores realmente quisessem se manter fiéis à essência da história e hoje, após muito pensar, me descobri fazendo as pazes com o final e vou apresentar meus argumentos.:

O mais óbvio:

A série nunca foi sobre a Mãe, mas sobre fatos da vida e a transição da juventude para a vida adulta. Era Ted passando toda a sua experiência aos seus filhos.

O menos óbvio, mas ainda muito óbvio:

A série sempre destacou Robin como o grande amor da vida de Ted que não se concretizou, mas sempre deixou claro que ela não era a Mãe.

E é isso que precisamos aceitar. A vida é muito mais complexa e imprevisível que um roteiro de Friends. O amor de Ted por Robin não invalida o amor de Ted por Tracy, até mesmo porque o amor de Tracy por Max não invalida o amor de Tracy por Ted. Tudo se resume ao Timing.



Ao final da nona temporada, ambos tiveram que abrir mão de seus amores para seguir em frente e formalizar seus sonhos com outras pessoas e isso é muito justo! Max morreu e Robin escolheu outra pessoa e, principalmente, sua carreira, que sempre foi seu grande sonho.

No final, Tracy e Max se reencontram, assim como Ted e Robin, e nada além disso poderia ser mais fiel ao que a série prega, o timing. Ted queria uma família, Robin queria sua carreira, se ambos tivessem ficado juntos quando jovens, seria exatamente como Lilly preveu na cena da Varanda, ambos velhinhos, juntos, mas ressentidos por não terem realizado seus sonhos. 

Após pensar muito, vi que Ted evoluiu e muito! Assim como Robin. O Ted mais velho já realizou seus sonhos, agora ele só quer uma companheira, sem aquela expectativa sufocante de ela ser The ONE. O mesmo para Robin, que realizou seus sonhos e hoje, possivelmente, está preparada para ser companheira de alguém. 

A série não era sobre como Ted conheceu  sua alma gêmea Tracy, e sim uma homenagem a Robin e tudo o que ele teve que passar para digerir tudo e finalmente seguir em frente após a morte de sua companheira. Da mesma forma que tive que assistir ao final uma dúzia de vezes pra digerí-lo, Ted também o fez para poder se reencontrar com um grande amor. E não há nada errado nisso, não há nada errado tentar ser feliz. A história em si não é para seus filhos, mas para si mesmo.

How I Met Your Mother deveria ser: como explicar para seus filhos que você teve vida antes deles ou, como digerir toda a sua história e começar uma nova.

A série não traiu ninguém, aliás foi muito fiel. A série nunca foi somente comédia, havia muito drama também, aliás, alguns episódios dramáticos eram muito melhores que episódios engraçados. 

Assim como a vida é, o pai de Marshall morre, Max, o amor da vida de Tracy, morre, pessoas se casam acreditando que ficarão juntos até ficarem bem velhinhos e se divorciam em três anos, sua alma gêmea também morre e aquele namorado (a) que era seu sonho de consumo só não é a pessoa certa para você naquele momento.

O problema é que não admitimos um tapa na cara dado pela realidade na televisão, local de ficção e finais felizes.

É certo que o final foi um tanto apressado e talvez  mal construído. Mas acredito que tentaram passar justamente a ideia de que a vida passa rápido e o que fica são as lições aprendidas. E o mais importante, se Ted não tivesse conhecido e se apaixonado por Robin, ele talvez nunca teria conhecido Tracy.



Ainda há muitos os que discutem o discurso que Robin dá à Lilly na despedida do apartamento. Robin foi cretina, mas ela falou alguma mentira? Tudo o que ela falou foi real, porém dito de uma forma mais ressentida. Em busca de realizar seus sonhos, Robin abriu mão de muita coisa, em especial tempo com seus amigos, e acabou vendo que em determinado momento estes se distanciaram e quase se tornaram estranhos para ela. Quem nunca passou por isso?

Acredito que o que prejudicou o final da série tenha sido justamente suas longas temporadas. Se Robin não tivesse se apaixonado por Barney e a química do casal não fosse tão boa, e ela não tivesse dado o fora em Ted tantas vezes, talvez não tivéssemos nos sentido tão traídos assim, mas vale lembrar que era para ter sido uma série de poucas temporadas.

Além disso, o episódio falhou ao ter medo de acrescentar Tracy na história. A personagem foi desperdiçada e coadjuvante em um momento que poderia ser seu, mesmo morrendo ao final, o traria maior comprometimento com a própria premissa da série. Faltou coragem aos criadores de fazer com que o espectador participasse e gostasse de Tracy e depois a visse partir, dando razão à narrativa. 

É certo que em um final melhorado idealizado por mim, Tracy teria morrido mais tarde e a história seria uma despedida. Deletaria a parte da Robin e daria mais tempo de tela para a Mãe.

O final alternativo apaziguou alguns ânimos, mas perdeu o propósito da história, até porque reduziu a história de Ted e Tracy e ainda não deu uma razão para uma narrativa tão completa e longa. E após muito pensar, aceitei qual era a premissa da série e o que ela queria passar.



Ted e Tracy foram felizes juntos e agora é hora de Ted ser feliz de novo. E foi esse pensamento que me fez assistir o final novamente e aceitar que a vida também é assim. Também podemos ser Ted e Robin, e só porque fizemos outras escolhas não significa que nunca poderemos ser felizes juntos?


A grande lição de HIMYM para seus espectadores é justamente que podemos ter vários amores, aliás, podemos ter um grande amor que não se consolidou por falta de maturidade, por falta de timing e que talvez, possa te fazer muito feliz um dia após muitas lições aprendidas e muita maturidade adquirida. A grande lição é que podemos ser felizes com o que temos e que devemos buscar essa felicidade.

PS: algo que não aceito nem nunca aceitarei é a reação alegre dos filhos ingratos logo após Ted lembrar da mãe morta deles. Tudo bem, eles tiveram 6 anos para aceitar isso, nós tivemos 2 segundos. E outra, mesmo que tenham se passado anos, a reação foi desproporcional, eles deveriam ter pelo menos deixado passar uns segundos de nostalgia para depois tocar no nome de Robin com tanta alegria. Nisso pecaram e feio, mesmo que o final tenha sido gravado logo na segunda temporada, se iam matar a mãe, poderia ter equilibrado melhor. Por isso nunca perdoarei Penny e Luke por serem dois ingratos desnaturados.


E as perucas...não perdoo isso também.




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